Quem sou eu

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Nasci em Pres. Prudente, me formei em jornalismo pela Unesp de Bauru. Morei quatro anos nos Estados Unidos, onde estudei Inglês na Rutgers University of Newark - New Jersey. Completei 20 anos de carreira trabalhando nas redações das TV's Bandeirantes, SBT, Record e afiliadas da Rede Globo. A maior parte do tempo como repórter. Também dei aula de redação jornalística na Universidade Federal de Mato Grosso - Cuiabá. Nos últimos cinco anos fui editora de texto da TV TEM de São José do Rio Preto. Atualmente sou Assessora na Secretaria do Meio Ambiente. Tenho um interesse profundo pela poesia. Na fila para edição estão um livro de poesias e um infantil. O poema "Dilata" postado nesse Blog foi pra fase regional do Mapa Cultural Paulista. O romance "A queda da Manga" foi uma das quatro obras selecionadas pelo 'Concurso Nelson Seixas' de fomento à Cultura de Rio Preto. Gosto de gente simples, verdadeira. Do mesmo jeito que curto interagir com as pessoas, também fico muito bem sozinha.

sábado, 10 de novembro de 2012

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Cé-ti-ca

Casa suja
Cabeça cheia
Bolso vazio

Família distante
Flor seca
Alegria nula

Navalha cega
Abraço frouxo
Ilusão perdida

Fruta azeda
Comida fria
Ideal derretido

Luz queimada
Corpo esgotado
Saudade muda

Licença negada
Espelho quebrado

Apatia farta

Porta fechada
Sorriso cassado


Régua torta
Poesia cansada
Esperança morta

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Fração

Flor roubada de presente
No quintal alguém planta um pé de amora
A porta da casa da minha mãe sempre aberta,
é esperança escancarada no bem.

Amigos e família transportam sorrisos pelos cômodos
sem qualquer competição.
Café quentinho.
Um bichano novo no sofá espreguiça o tempo...
São fragmentos assim, que fazem a vida valer prá mim...

quinta-feira, 10 de maio de 2012

sexta-feira, 16 de março de 2012

Historinha de separação

(Ouviu-se de duas palavrinhas que se encontraram pelo caminho)...

-Oi!
-Tchau!
-Como assim? Fique mais, nem conversamos...
-É que nasci para partir...
-E eu para chegar...Mas me sinto solitária... Nem sempre quero chegar aonde chego e quando desejo ir embora, tudo o que consigo fazer é chegar novamente...Me sinto previsível...impotente... E a alegria que vêem em mim, é só coisa aparente...
-Ah... esse drama não é só seu... Quantas vezes quero parar e meu coração se enche de partida, quando tudo o que eu mais queria era ficar ali, pensando na vida... Desejando feito árvore, estar quieto, plantado, com um amor bem do meu lado.. Mas qualquer movimento me desloca... e lá estou eu de novo indo, previsivelmente partindo...
-Hummm...toda sina aprisiona e essa nossa, me impressiona... Peraí, tive uma idéia...
-“Botar asa em centopéia”?
-Não! E se fizermos um trato?... Deixamos um pouco o nosso ofício e acabamos com o suplício... Para assim viver a vida, curtir a delícia da chegada, sem a terrível dor da partida...

(Conforme foram combinando, Oi e Tchau se aproximando... mundo lá fora ficou complexo...meio assim, fora de nexo...Sem Oi nem Tchau no dicionário, tudo foi pro imaginário... Ser humano não sabia quem chegava ou quem partia... E num reflexo momentâneo, entorpecidas de amor instantâneo, as palavrinhas se entregaram e juraram amor eterno, esquecendo-se com certeza , que tinham a própria natureza. Mas quando a noite fez-se dia, trouxe a verdade sem dó. Tchau havia ido embora. Oi acordou vazio e só...

Da conversa simplezinha
Entre as duas palavrinhas...
Ficou algo certeiro
Que mesmo com as diferenças
O amor foi verdadeiro

E as estrelas que ouviram promessas,
Entenderam enfim
Quem nem toda rima é boa peça
Que um é um
Que outro é outro

Que um é riso
Que outro é dor

Que se aproveite sempre
A instantaneidade
Do amor







quarta-feira, 14 de março de 2012

Cotidiano

Irmão mais velho, 14 anos
Chicoteia o cavalo
Para terminar logo
A coleta de papelão

Irmão mais novo, 11 anos
Que nunca foi à escola
Deitado na carroça
Cheira cola

Até o céu benevolente
Ao ver o menino
Se sente impotente

Ele não quer ficar louco
Ele não quer chamar atenção

Mas anestesiar
A falta de amor
De alimento
E de educação

terça-feira, 13 de março de 2012

Dança

As vezes me sinto
Como a bailarina
Que se esforça
Para apresentar dança impecável
Mas que sob os pés esconde calos
De uma vida inteira treinando...

segunda-feira, 12 de março de 2012

Palavras

Palavras
São reis e rainhas
Que se deixam
Manipular

O poeta
É um servo
Que manipula

Não perverso
Pelo verso

O engano de Da Vinci

Simetria
E perfeição
Nem lá
Com o homem virtruviano

Que em noites
Solitárias
Cochichou
Nos ouvidos
De Da Vinci

-"Há coisas
Disformes
Que escondo"...

Fato

A criança
Embala o tempo
No balanço

Lençóis no varal
Revelam
A poesia da sombra
Que estende um prendedor

O sol escancara
Os veios das folhas
Apontando caminhos

O estômago
Nos leva ao trabalho
Por um pedaço de pão

E assim
Um novo dia começa
Reforçando
Nossa dependência

Do tempo
Do vento
Do alimento
Do que dá vida às sombras

Amigo

Estava em escuridão
E me presenteou
Com um móbile de estrelas

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Conversa com o sábio

O homem comum
Olhou para o sábio
Com desdém
E disparou:

-Deve ser fácil viver
Tendo todas
As respostas...

O sábio olhou para o homem
E respondeu (perguntando):

-Quando está barulhento
E o som incomoda
Abaixamos o volume

E quando o barulho
É o silêncio?

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Homenagem

Voz
Vida
Vôo vasto

Com você aprendemos

  Valores que apliam a
  Amizade
  Lições numa frase pronunciada com alma:
"TV Tem, a TV que tem você"
  Impulsos do bem
  Narrados milhões de Vezes
  Homem humano, dedicado.
Orgulho, exemplo, saudade de todos nós.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Desmitificando


Minha crença
É uma sombra
Que me assombra

Não é nenhum deusinho
De vestes brancas
Nem cânticos
Nem fiéis

É amor que briga pra ser amor
É atitude que embala um rito
Toda luta diária
A desconstrução do mito

Minha crença
Não gera desavença
Não aponta o pecado

É forte como um demônio
E frágil
Como este mesmo demônio cansado

Aprendizado

Viver
É encontrar as desmedidas.
O impreciso é vasto
Já o concreto, vazio...

Insensato

As vezes afago
As vezes afogo
Não é apenas
Trocadilho
É alma
Fora dos trilhos
É trem desembestado
A procura de caminho
Não é vôo
É ninho
Não é resposta
É pergunta
Não é pássaro
É ar
Não é simples busca
É vida brusca
E mesmo cansada
Peço bis
Está na semântica afiada
Meu insensato raio x

Dilata

Queria ter
Um coração de lata
Não conhecer o amor
Nem lembrar que os olhos falam

Queria ter mãos de lata
Feitas mesmo de sucata
Não sentir qualquer toque
Nem o corpo que arrebata

Enferrujar na beira de um rio
Não queimar nem sentir frio
Parafusos nas articulações
Fariam melhor que mil tendões...

Queria ter boca de lata
Não dizer palavra exata
Nem profana nem sensata
Não comer macarrão com queijo
Nem jamais sentir seu beijo

Olhos de bola-de-gude
Enxergar só a superfície de um açude

Em vez de cabeça
Ferro fundido
Em vez de neurônios
Arames farpados
Em vez de abraço
Só o aço

Se eu fosse menos gente
Também escolheria
Óleo em vez de lágrima
Em vez de sangue, graxa
Em vez de corpo, máquina

Mas lá no fundinho
De algum jeito
Desejaria um defeito
Ser uma máquina de lata
Que num dia em pane
De amor dilata...

Sabedoria do garimpo

Pedra difícil
É ouro
Em pedra fácil
A gente tropeça

Homem de Chapéu

Lá vem o homem
De chapéu
Entre a rua
E o céu
Será que tem sonhos
O homem de chapéu?
Paixão qualquer
Com a caneta e o papel?

Não...
Ele sonha
Sem complicação
Não mistura alma com tinta
Nem se preocupa se a forma é distinta
No prato
Nada de alimento abstrato
Sonha sim
Com a lavoura verdinha
E fartura e chuva fininha
E família e colheita
Empilha os frutos
Ali se deita

As preces?
São só pra afastar pragas
Ter toda as contas pagas
Esbanjar saúde
Colecionar boas lembranças
Trazer de volta
A moça de tranças

E eu?
Porque a chuva não me basta?
A fartura me traz fome?
A colheita me consome?
A chuva me derrete em lavas?
O pensamento fervilha palavras?

Lá vem o homem de chapéu
Me ensinar lição do céu
Se tem nuvem, vai chover
Se tem dor, tem coração
Tudo simples
Tal semente na mão
Se jogar, brota no chão
Basta ver sem a espada
Da interpretação

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Geladeira quebrada

Alguns objetos
Merecem uma certa homenagem
Quando perdem a utilidade
Essa é a porta
Da minha geladeira quebrada

Nela
Um pedacinho
Da infância de minha filha
Que tem esse poder natural  
De descoisificar a vida
De humanizar as coisas

Despretensa poesia


A cortina borda
O vazio do meu quarto

Por trás dela, o gato
Brinca com um pedaço
De barbante

A janela entreaberta
Distribui um raio de luz cartesiano
Suficiente para um dia

Em cena
A precisão do natural
E a ausência de pretensão poética
Enchem meu quarto de poesia

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

O feitiço e o feiticeiro

Para despotencializar
A covardia humana
Nossos legisladores
Tinham que aprender
A potencializar a capacidade
De se colocarem no lugar dos outros

Transformem em punição ao agressor
Malfeito idêntico ao que vitimou crianças, idosos ou animais
Para ver se não haverá
Queda brusca da criminalidade

Seria um encontro solene
Entre o feitiço e o feiticeiro

Matou a pauladas
Vai morrer a pauladas
Maltratou animais
Será igualmente maltratado
Abusou sexualmente
Será identicamente abusado
Foi corrupto
Terá todos os bens surrupiados

Quem sabe assim
Enquanto a educação capenga
Esse espécime prepotente
Que se diz inteligente
Que na verdade é cruel e insano
Comece de uma vez por todas
A ser definitivamente humano

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Poeira e poesia

Em tempos velozes
De capitalismo e de tormento
A poesia pode ser vista
Apenas como poeira
Que se arrasta pelo vento

Verá
Que não é.

Ela tem o poder
De provocar ventania
De entrar em nossos olhos
De renovar o que se via

Por pó se passa
Se preciso o intento
Só prá cumprir seu rito
De ruminar o féu
De levantar o véu
De desvendar o vento

Anti lei da física

A amizade
Mesmo quando infinita
Cabe curiosamente
Em qualquer lugar.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Hipócrita

Adoçante no café
Rapadura de sobremesa

No domingo
Demosntra fé

Na segunda
Gestos contra a pureza

A hipocrisia é a verdade
Que alimenta a falsidade

Para deixar
De nova vítima ser
Diga ao hipócrita:

-Vem ser, vem ser!

E ele surpreso e inerte
Derrete, derrete...

Risco eleito

Não perco tempo
Em ser quem não sou
Adoro o risco
De ser eu mesma

sábado, 7 de janeiro de 2012

Meia luz

A vantagem de chorar
À meia luz
É ter a impressão
De que só metade de você mesmo chora
E até de que o choro já foi o bastante
Quando ainda
Só está começando

Alma

Os Beatles tinham mais alma
Que afinação
Jesus tinha mais alma
Que seguidores
Gandhi, mais alma que a convicção da não violência
Ronaldo – o fenômeno, mais alma que corpo atlético
Steaven Jobs, igualmente mais alma que genialidade
Recados simples que a vida repete prá gente enxergar
Não importa exatamente o que se faz
O que importa é com quanto de alma se faz