Quem sou eu

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Nasci em Pres. Prudente, me formei em jornalismo pela Unesp de Bauru. Morei quatro anos nos Estados Unidos, onde estudei Inglês na Rutgers University of Newark - New Jersey. Completei 20 anos de carreira trabalhando nas redações das TV's Bandeirantes, SBT, Record e afiliadas da Rede Globo. A maior parte do tempo como repórter. Também dei aula de redação jornalística na Universidade Federal de Mato Grosso - Cuiabá. Nos últimos cinco anos fui editora de texto da TV TEM de São José do Rio Preto. Atualmente sou Assessora na Secretaria do Meio Ambiente. Tenho um interesse profundo pela poesia. Na fila para edição estão um livro de poesias e um infantil. O poema "Dilata" postado nesse Blog foi pra fase regional do Mapa Cultural Paulista. O romance "A queda da Manga" foi uma das quatro obras selecionadas pelo 'Concurso Nelson Seixas' de fomento à Cultura de Rio Preto. Gosto de gente simples, verdadeira. Do mesmo jeito que curto interagir com as pessoas, também fico muito bem sozinha.

sábado, 30 de outubro de 2010

Descoberta



Ele acreditava que as respostas ficavam num eixo localizado entre a latitude e a longitude da alma e que por isso a vida estava desvendada. Engano. Havia respostas caleidoscópicas, hemisférios obscuros, vértices trêmulos, verdades mutantes, oxítonas tímidas, tormentas escondidas, pêndulos confusos, posturas flácidas. Quando a profundidade escancarava seus tentáculos, ele desejava a superfície. Inútil. Havia perguntas empilhadas, dúvidas maltrapilhas, cúpulas dissimuladas, âmagos vazios, intenções mutiladas, murmúrio de caminhos, rótulos oportunistas, nenhuma pista. Ele desejava a brisa, mas foi sugado pela ventania. Era nela que estava a linguagem do vento, que nasceu prá mudar tudo de lugar. Era fato. Quando sucumbiu, ele a tudo descobriu.

sábado, 23 de outubro de 2010

A morte em seis segmentos

Segmento Primeiro

Já morri tantas vezes
Em épocas da minha vida
E não me é estranha a sensação de ir
Me são íntimas a equidistância e a ausência
A morte cuida de mim, protege, quer me levar
Me olha de noite e de dia
E mostra que quer companhia
As vezes sinto necessidade de morrer um pouco
E me entregar aos caprichos dela
Não resistirei sempre
Ela me ensina lição simples
Que parece já ser sabida
Abrir e fechar a janela
A cada etapa vivida

Segmento Segundo

Dos sentimentos que causam a morte
Um é o que mais me emudece:
-O do quarto escuro
A morte vem quando apago a luz
E senta-se a meu lado
No banco de minha escrivaninha
Olha cada objeto como a ver brinquedos
Revela mistérios pelas luvas
Que envolvem seus gélidos os dedos
Não faz ruídos
Pois é silenciosa e carente
Ela quer ser minha amiga
Me pergunta o que é ser gente

Segmento Terceiro

Em meu quarto
Há apenas quatro objetos
Um quadro pintado por mim
Uma caneta
Um caderno de anotações
E uma luminária
Noite passada não havia vento
E estranho fato aconteceu
O quadro balançou na parede
A caneta rolou ao chão
O caderno virou as folhas
Como que a bater asas
A luminária misteriosamente desligou-se
Não são sutis os movimentos da morte
Sumiu me deixando a pergunta
-Estar vivo é alguma sorte?
Fui tomar um copo d'água na cozinha

Segmento Quarto

De certa forma
Minha solidão me basta
E não preciso de outra
Prá me trazer angústias e vantagens
De certa forma
Minha dor me afasta
De rituais da vida gasta
Que as vezes chego a rir sozinha
Não sei porque motivo
Desse riso a morte gosta
Me seduz e me enrosca
Quer minh'alma
Quer que eu cante
Diz que é a minha amante

Segmento Quinto

A morte nunca morre
As pessoas sim
A morte tem ciúme de mim
Põe enigmas na janela
Me ensina a conviver com ela
As vezes me ama outras me odeia
As vezes a amo outras a odeio
Em meu ouvido sussurra:
-Vida é fim, início ou meio?
Aprisiona a sobriedade
Tranca as portas, joga as chaves
Me promete liberdade

Segmento Sexto

Angústia e euforia
Novamente o sopro dela
O pó da cômoda é purpurina
Na fresta da janela
Há borboletas
Que cansaram de se debater
Por um pouco de ar
A morte me chama prá dançar
Rodopia, faz-me rir
Depois de mim
Quem ela virá seduzir?
A quem entrelaçará seus dedos
Arrancando pavores e medos?
Sobre quem recitará seu mantra mais profundo?
-Viver o infinito, morrer prá esse mundo?

Invertida

Quando tenho tempo
Não tenho paciência
Quando tenho paciência
Não tenho tempo
Angústias humanas
Invertem o foco
Será possível
Inquietude e sossego?
Queria ter
A paz de um morcego

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Papo sério





Meu Deus, meu Deus
Dê-me logo a chave certa
Não há razão de existir a uma porta
Senão para ser aberta

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Tempestade

Atravessei a tempestade
Dirigindo velozmente
Até alcançar
O estacionamento do supermercado
Eu estava decidida
Mesmo de mãos vazias
E você cheio de sacolas
Eu disse: -entra!

Fazia tempo
Que seus olhos não abriam janelas
Fazia tempo
Que nossa boca havia deixado
De ser morango

O movimento lá fora
Era do mundo e seus afazeres
Um dilúvio abominado
Por quem só via a chuva como estorvo

Dentro do carro
Era moldura a tempestade
Nós, os olhos, as mãos vazias e as sacolas
Uma oferta de angústias
Em cada etiqueta com preço

Havia um frango resfriado
Que cheirava sua vida em outras mãos
Alguém o esperava pro jantar
Picando dentes de alho

Nosso calor embaçava os vidros
Criando uma falsa privacidade
Nossa relação de consumo: o silêncio
Bem a frente
O filme da nossa vida
E o fim entalado na garganta

No parabrisas molhado
No parabrisas chorado
Estava alí
Infinita como as gotas de chuva
Uma história torrencial
Que de tanto amor escorreu
Que de tanto amor se perdeu

Descrição

Ela fazia amigos
Como lírios encantam jardins
E brotava dourada
Em cada fração amanhecida

Ela transformava histórias
E desafiava a dor
Interpretava o tempo
E seus segredos de multiplicação

A vida era difícil
Mas ela seguia firme
Diluindo o instante
Enfeitando o incerto
Longe dentro ou perto

Dava sorrisos a quem sofria
Era  feita de carne e osso
E de magia que florescia

Afiada

Se eu pudesse transformar
Poesia em sabedoria
Nos seus olhos olharia
E como beata descrente
Discursaria oração fria

Quem sabe a indiferença
O preço da descrença
Tocasse hoje e sempre
Seu peito intransigente

Livre arbítrio

O livre arbítrio
É mais poderoso
Que Deus
É ele que está acima
De tudo
Que desenha
A vida e a morte
De quem tem muita
Ou pouca sorte

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Lições

A você que quebrou o vaso preferido
De sua mãe na infância
E levou um susto
Não se preocupe
Há lições inteiras
Que se aprende com os cacos...

Presente

Quando eu era pequena
Queria ganhar uma bicicleta
Mas como minha mãe não tinha dinheiro
Me deu uns potinhos de tinta guache
Pintei então uma borboleta
E nunca mais parei de voar
Minha mãe não sabe
Mas me deu o arco-íris

Segredinho

Se eu tivesse a chance
De voltar no tempo
E falar com a criança que fui
Olharia bem nos meus olhos
E sopraria nos meus ouvidos:
-Ei, vai brincar
Ainda dá tempo...

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

In (esperado)

O inesperado desejável
É melhor que o desejável
Superior ao planejável

O inesperado
Tem esse poder
De nos trazer vida
E nos fazer ver

Mas não espere
Que o desejável apareça
O desejo tem suas birras
Quando queremos que o inesperado aconteça

sábado, 2 de outubro de 2010

Seus 13 anos

Queria que nascesse com saúde
E você veio saudável, linda, inteligente e sensível

Quando bebê eu desejava que crescesse logo e falasse comigo
Você dominou o discurso e se tornou minha maior companheira

Queria que me beijasse todos os dias
Você não só me encheu de beijos durante esses 13 anos
Como me cobriu com abraços apertados

Pedi a Deus que  te merecesse sempre e que gostasse de mim
E você me fez sentir a pessoa mais amada do mundo

Diante do excesso de trabalho e correria
Queria esticar o tempo com você a cada instante
Em vez de me culpar pela ausência
Me fez sentir importante

Você me deu tudo o que eu queria
E o que não imaginava que existia

Mal acostumada que fiquei
A cada gesto a cada dia
Farei último pedido:
Viver a seu lado
Até morrer dessa alegria

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Simone

O sim
Está em seu nome
Com você
Não há desperdício
Nem fome

Sua fala
Nunca ilude
Seus gestos certeiros
Preciosa atitude

Se enxerga, mostra
Se vê sofrimento, cuida
Se a dor assim mesmo
Não muda
Reiventa um jeito
De dar sua ajuda

Por isso
Ao te decifrar
Nada me intriga
Sabe o que é
Ser grande amiga

E por ser como é
Virei sua fã
Simone querida
Minha alma irmã