Quem sou eu

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Nasci em Pres. Prudente, me formei em jornalismo pela Unesp de Bauru. Morei quatro anos nos Estados Unidos, onde estudei Inglês na Rutgers University of Newark - New Jersey. Completei 20 anos de carreira trabalhando nas redações das TV's Bandeirantes, SBT, Record e afiliadas da Rede Globo. A maior parte do tempo como repórter. Também dei aula de redação jornalística na Universidade Federal de Mato Grosso - Cuiabá. Nos últimos cinco anos fui editora de texto da TV TEM de São José do Rio Preto. Atualmente sou Assessora na Secretaria do Meio Ambiente. Tenho um interesse profundo pela poesia. Na fila para edição estão um livro de poesias e um infantil. O poema "Dilata" postado nesse Blog foi pra fase regional do Mapa Cultural Paulista. O romance "A queda da Manga" foi uma das quatro obras selecionadas pelo 'Concurso Nelson Seixas' de fomento à Cultura de Rio Preto. Gosto de gente simples, verdadeira. Do mesmo jeito que curto interagir com as pessoas, também fico muito bem sozinha.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Relato


O mundo
É um eixo imaginário
Sob trópicos imaginários
É um beijo ordinário
Sobre bocas carentes
É um jeito doce e falsário
Sob uma única realidade:
A dança dos humanos!

A velha


Ao esquecimento

Debate-se em delírio, a velha

Balbucia na espuma da boca

Nenhuma palavra audível

Alucina-se com flores amarelas

E ninguém sabe o motivo


Não se lembra da infância

Nem da mocidade

Uma avenida escura no tempo

Cravou o peito sem gestos

Separou tudo


O esquecimento

Tal como a rua

Parece uma navalha deitada

Inofensivo


Debate-se a velha

Ninguém é o que é sem passado

Inútil entender

O que resultou aquele corpo flácido

E o desbravador caminho das rugas


Sente dor do lado esquerdo

Ora do lado direito

As flores amarelas

Vêm como um relâmpago na memória


Quieta ela olha prá janela

Então faz o que lhe resta

Aspira a alucinação perfumada

Deixa a morte entrar pela fresta

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Papéis


Preciso vencer
A fatalidade
Da morte

A brutalidade
Do corte

A formalidade
Do porte

A miséria
do norte

Marias e Joanas
Caminham barrigudas
Sorrindo sem saber

Os "ismos" e os "istas"
Vendem que se preocupam
Os "óides" pensam saber

Estereótipos!
Quando cores
Da verdade?

Quando e onde
Liberdade?

Flauta fina

Nosso amor
É flora

Flor
Feito
Fada

Felina
Fragância
Fêmea

Feto
Forte

Fruto
Fértil

Fonte
Fecunda

Fala
Fica
Ferve
Flutua

Fina
Flor
Faz
Feitiço

Fuça
Fura
Finca
Faca
Fundo

Furacão

Forma
Fluorescente

Ficção
Fugida

Fogueira
Fugaz
Fluindo

Folhagens
Fazendo
Festa

Experiência



Era faísca
Como a que a gente descobre na infância
Numa aula de ciências

Para ver o fogo surgir
Era preciso apenas dia quente, lupa e folha seca
Mirar o reflexo do sol na folha e pronto!
Primeiro subia fumacinha e depois despretensiosa chama
Que logo corroía a folha diante dos olhos estatelados dos "pequenos cientistas"

Quando te vi
Havia lupa aumentando a importância das coisas
Em pouco tempo tinha sol rondando
Eu folha, fui me tornando alvo propício
Fumacinha virou incêndio
Chama se alastrou por dentro

Foi tanta dor
Tão pouca ciência
Triste ver o que sobrou
Desta louca experiência

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Reforma


Derrubarei esta casa

Telhas tijolos pedras

Portas janelas pisos

Vou derrubar lanças

Punhais proteção

Danificar

Tudo o que se ergueu do não

Espalhar os farelos no chão

Do pão que deixamos sobrar

Deixar entrar ar

Respirar

Sol entrar

Chega de necessidade e precariedade

É preciso reformar esta casa

Como é preciso comer

A solução é o prato

A condição é a comida

Sabedoria


Ah, os pássaros

Estes seres evoluídos

Não se desfazem das asas

Nem mesmo para brigar

Tempo


O tempo que amadurece

É o mesmo que deteriora

A nós cabe a arte

De manipular a hora

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Click


A temporalidade

É assassina

Uma núvem

É mais nada

Em segundos

Com o vento

Descrição de um dia cinza


Uma faca

Cortou minha cara

Uma traça

Atravessou minha sala

Minha vida

Movida à bala

Ao susto

No lixo

Queria somente

É ter a paz de um bicho

Segredo


Aniquilei o silêncio

Na solidão do meu quarto

Implodi o meu parto

Pois que amo

Alguém que não sabe que o amo

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Quadro

Estamos expostos
À tela-mundo
Somos a tinta
E o borrão
O belo esfacelado
Em conceitos
De sim e não

Estamos expostos
À tela-mundo
Somos a palavra
E a língua
O dialeto abstrato
Perdido em regras

Estamos expostos
À tela-mundo
Somos (ironicamente)
A arte que estampa
Em frentes e fundos
Uma cor
Que definiram
Uma língua
Que impuseram
Emoldurados

Imagem

Hoje tentei desenhar-te
E frustante não consegui
Talvez porque não conheço
Os traços precisos de um pássaro

Conflito estético

Ainda não decidi
Qual linguagem mais amo
A jornalística
Ou a literária

Minhas matérias saem ficcionadas
Minhas poesias factuais

Me perdi na extensão
Na limitação da palavra
Na educação da palavra

Vendaval

Não suportaria mais
A dor
Nem a sombra
De árvores tranquilas

Não suportaria mais
A calma do cais
É vendaval
Tempestade no mar

Eu te amo
Eu te amo

Questão

Do que é feita
A morbidez dos anos?
A podreira dos panos?

Do que vai ficando
O nosso ser vestido?

Da ruga mais funda?
Do véu retalhado?
De sonho e farinha?

Do que é feita
A mentira das horas?
A vida incessante?

Junto a inquietude
Ao pó letárgico da cômoda
Rabisco o cansaço do meu nome

É amarela a lembrança
Diferente do amarelo
Da fruta madura

Ela tem o peso dos anos
E a fraqueza dos panos

As baratas da casa nesta hora batem palmas
-Alimento em putrefação!
A natureza é assim
Prevê os detritos da solidão

Reflexão

Se as palavras são aparências

Como vou descrever a essência

Que despida, ainda,

Inspira em palavras, a poesia,

Minha verdade mais pura?

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Presença


Você

Presente ou ausente

Ocupa os poros

Da minha mente

Fervilha o amor

É curiosa essa força sua

Como o vento

Bate na cara

Sem fazer doer

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Literal


Ela me contou
Que a quimioterapia
Havia secado sua lágrima
Ao ouvir o drama
Engoli o choro
E lhe dei o abraço mais firme
Que podia dar
As vezes a vida é tão árida
Que não permite metáforas

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

De platônico a gastronômico


Te desejava calada

Hoje delato o amor

De platônico a gastronômico


Em meu pensamento te amasso

Em fino purê te desfaço

Como seu corpo

Lambuzo minha alma


Pimenta no toque

Refresco nos olhos

Desejo que acalma


Mas em dias tensos

Ausência é tortura

Com beijos pretensos

Faço fritura


Depois te cozinho

Te pico e trituro

Um dente de alho

Olho por olho

Até virar molho


Que sobre mim jogo

Marcando o sabor

Me dou renovada

E destemperada

Alimento o amor


Por um fio


Faço de contas
Que não perdi o chão
Realizo meticulosamente
As tarefas diárias
Cá dentro
Ironicamente
Um abismo se sustenta
Nas bases da minha inquietude